terça-feira, 31 de outubro de 2017

Após ataque contra agentes, visitas estão suspensas na Nelson Hungria

Após ataque contra agentes, visitas estão suspensas na Nelson Hungria

Sindicato dos agentes penitenciários de Minas Gerais informou que o ataque foi premeditado e comandado por detentos lotados na unidade.

SN Simon Nascimento *  GP Guilherme Paranaiba
postado em 31/10/2017 11:21 / atualizado em 31/10/2017 14:55

https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/10/31/interna_gerais,913002/apos-ataque-contra-agentes-visitas-estao-suspensas-na-nelson-hungria.shtml

As visitas aos detentos que cumprem pena na Penitenciária Nelson Hungria estão suspensas, no mínimo, até o dia 6 de novembro. A medida foi anunciada pelo Secretário de Administração Prisional de Minas Gerais (Seap/MG), Francisco Kupidlowski, em nota, e também em um áudio que circula por uma rede social, após o ataque que terminou com dois agentes penitenciários e uma criança baleados nesta manhã, próximo à unidade.

No áudio recebido pelo em.com.br, o secretário diz que os agentes foram vítimas de uma tentativa de homicídio. Francisco Kupidlowski reiterou que já pediu ajuda aos comandantes das polícias Civil e Militar para que os autores do ataque sejam localizados e presos.

Dois agentes penitenciários e criança são baleados perto da Penitenciária Nelson Hungria

Sobre a suspensão das visitas, que já começam nesta terça-feira, o secretário relatou que a medida poderá ser estendida durante a apuração do ocorrido. Por fim, o secretário pediu atenção aos servidores. “Não admitiremos atentado contra nossos servidores em Minas Gerais, não admitiremos afrontas ao sistema prisional. Solicito a todos os servidores que redobrem as atenções nos deslocamentos para o trabalho e no interior das unidades prisionais,” salientou o secretário.

Segundo agentes ouvidos pela reportagem, um dos fatos que contribuiram para a animosidade dentro da Nelson Hungria foi a morte de um homem ligado a uma facção criminosa e o impedimento de que seus três filhos - que também teriam envolvimento com a organização e estão presos na unidade - , participassem do funeral.

Agentes cruzam os braços

Ainda em repúdio ao ato de violência, os agentes que trabalham na Nelson Hungria paralisaram os trabalhos em um protesto cobrando melhorias nas condições e mais segurança à categoria.

De acordo com Adeílton Souza, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Minas Gerais (Sindasp/MG), os protestos podem sinalizar uma greve nas unidades prisionais do estado. “O sistema já está em clima de anormalidade e, possivelmente, isso vai atingir outras unidades na Região Metropolitana de Belo Horizonte enquanto não ocorrer uma apuração e prisão das pessoas responsáveis pelo ataque”, disse à reportagem, por telefone.

Adeílton Souza atribuiu o ocorrido desta manhã à falta de investimento no sistema prisional em Minas Gerais e pediu punição aos detentos da Neslon Hungria. “As ordens para o ataque com certeza partiram de lá de dentro. Então o que a gente espera é que o Governo de Minas de uma resposta à altura com suas forças policiais e punindo todo o complexo da Nelson Hungria. Eles (detentos) têm que perder visitas, banhos de sol e qualquer tipo de regalias,” destacou.

Conforme o Sindasp/MG, os agentes penitenciários têm sofrido com ataques em todo o estado. Duas mortes de agentes, segundo a organização, foram constatadas no Triângulo Mineiro desde o ano passado a mando de criminosos que podem ter alguma ligação com uma facção que atua em presídios do país.

Na Nelson Hungria, os agentes reclamam que nem todos os profissionais possuem o Treinamento com Armas de Fogo (TCAF), e os que têm reclamam da morosidade do governo em emitir a carteira que permite o uso da arma funcional. Sem o documento, eles não podem portá-las e ficam à mercê dos ataques. Eles também reclamam da falta de um transporte especial para eles, como um ônibus que circulava anteriormente. Os agentes alegam que, utilizando o transporte comum, podem se encontrar com ex-presidiários ou parentes de detentos, ficando mais expostos à violência.

Ainda em contato com a reportagem na entrada da unidade, os agentes alegaram que circula uma informação, atribuída à diretoria de inteligência da Polícia Militar, de possíveis ataques aos funcionários da categoria. No entanto, a PM nega. 

Os agentes também informam que trabalham na unidade cerca de 300 pessoas por turno de serviço. Só estão funcionando nesta terça os atendimentos de saúde e escoltas para o Tribunal do Júri. Os presos estão dentro de suas celas, por onde recebem a alimentação, e não têm acesso ao banho de sol.

Uma reunião com a direção da unidade, o vice-presidente do sindicato e um representante da Seap ocorreu nesta manhã no presídio.

No início da tarde, a Seap se pronunciou sobre o episódio desta manhã por meio de nota. Leia na íntegra:

"Na manhã desta quarta-feira, 31.10, por volta das 6h40, dois Agentes de Segurança Penitenciários foram baleados quando deslocavam para trabalhar no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem.

Os Agentes foram socorridos por uma ambulância do Sistema Prisional e encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Contagem. O estado de saúde dos servidores é estável.

Além dos dois Agentes de Segurança Penitenciário, um adolescente de 13 anos também foi atingido e também socorrido. Estado de saúde dele é estável.

O Secretário de Administração Prisional, Desembargador Francisco Kupidlowski, em resposta a ação criminosa contra os Agentes Penitenciários determinou a suspensão das visitas no Complexo Penitenciário Nelson Hungria no período entre 31.10 a 06.11.

As Polícias Militar e Civil foram acionadas e atuam com empenho nas buscas pelos autores do crime e para esclarecer os motivos e as circunstâncias do ocorrido, com o auxílio e acompanhamento da Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP)."


*Sob supervisão do editor Benny Cohen

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