terça-feira, 18 de abril de 2017

Mais de 11 mil celulares foram apreendidos nos presídios do Estado de MG nos últimos cinco anos

Linha direta com o crime nos presídios de Minas

Bruno Moreno
Hoje em Dia - Belo Horizonte
Boa parte dos quase 60 mil encarcerados no sistema prisional de Minas mantêm contato regular com o mundo externo, ao contrário do que determina a lei. Por meio da contravenção, continuam praticando crimes, mesmo atrás das grades.
Nos últimos cinco anos, mais de 11 mil celulares foram apreendidos nos presídios do Estado. A média é de 188 aparelhos recolhidos por mês, mostra levantamento feito pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).
Conforme a reportagem apurou com especialistas em segurança e profissionais que atuam dentro das unidades prisionais, a maioria utiliza o telefone para conversar com a família, mas não são raros os casos dos que, mesmo encarcerados, comandam o tráfico de drogas e mandam comparsas praticar crimes. 
Tocar o terror
Arrancar dinheiro de vítimas, através de trotes de falsos sequestros, também integra a lista dos delitos. O uso do aparelho, inclusive, dá margem para que rebeliões sejam arquitetadas e assassinatos encomendados.
“É usado para a comunicação externa. Ele (preso) quer continuar na vida do crime. Vai dar orientação aos membros da quadrilha, aos que comandam a boca de fumo e até dar ordens de execuções”, afirma o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado (Sindasp-MG), Adeilton de Souza Rocha. Ele lembrou que em 2015 e 2016 três agentes foram assassinados no Triângulo Mineiro. A ordem teria partido de dentro de presídios.
Envolvidos no acesso de celulares dentro dos presídios podem ser presos por até um ano, conforme prevê a lei 12.012/09
Acesso
Em meio às medidas de segurança adotadas pela Seap no sistema prisional, uma brecha abre espaço para que os telefones cheguem às unidades, principalmente no interior. É o que destaca o presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da Ordem do Advogados do Brasil (OAB-MG), Fábio Piló. 
“Nesses locais, as cadeias públicas são casas no meio da cidade. A entrada dos celulares ocorre por um procedimento conhecido como ‘jato’. Comparsas jogam os aparelhos embrulhados em plástico bolha por fora da carceragem. Os agentes não conseguem fazer a vigilância no entorno”.

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